Hoje , nesta história , com certeza , algumas pessoas vão me chamar de fatalista, de maniqueista, fatalista,etc ,etc, ista.

Mas , eu sempre afirmo que as histórias são reais, eu tomo cuidado para que elas não sejam tão reais, corto algo aqui, aumento outra ali, mas a história é real, claro mudando o nome das pessoas.

Paulo Hilário veio de Portugal ainda jovem, camponês, forte e foi morar com tios em Santos, próximo ao cais.

Logo se enturmou com outros jovens, sendo que alguns eram garotos de programa e atraído pela aventura, dinheiro fácil,foi aventurar na região do porto. Forte e com jeito rude, atraiu a atenção de vários homossexuais. Paulo Hilário era até violento ,às vezes agredia

seus " clientes". Passado um tempo PH se casou com Izabel Diva e mudou-se para o Pari. Parou com aquela nefasta " profissão" apendeu ofício de torneiro ferramenteiro ,  tinha vocação para a profissão, ficou muito bem de vida, se tornando inclusive proprietário de uma metalúrgica de médio porte.

No Pari, o casal teve um filho, o Mário Otelo, a quem deram uma educação muito carinhosa e zelosa. Mário Otelo era um garoto tímido, quieto, ao contrário do pai, que era alegre , brincalhão, muito popular.

O tempo, sempre ele, o senhor da história, foi fazendo a sua trama e com quase trinta anos , Mário Otelo excelente professor, foi transferido para Santos, lembram-se ?

E  Mário, um excelente profissional, um ótimo professor e   homossexual, ia levando a sua vida, trabalhando muito, tinha um excelente rol de amizades, progredindo na vida.  Mas, através de amigos, foi apresentado ao mundo dos cafajestes, ou

melhor garotos de programas.

E lá vem a roda da história, Mário contraiu uma aids , que naquela época não tinha nada de tratamento, a não ser paliativos e em pouco tempo faleceu.

PH quando soube da doença, da morte e que seu filho era homossexual, ele , machão, entrou em parafuso, enlouqueceu e menos de um ano após a morte do filho veio a falecer. Alguns meses depois, num de seus raros momentos de lucidez, ele com lágrimas nos olhos , me falou: " Eu não queria que fosse assim."

Esta história é real, não estou fazendo juízo de valor , não estou julgando a ninguem e a nada, acho que cada um faz de seu corpo o que bem lhe aprouver.

Estou constatando, como mero contador de histórias , a aventura desse bicho complicado que se chama ser humano e que muitas vezes gosta de complicar o que é fácil, ao tentar tripudiar , escarnecer o seu igual.