CADA FORA...

JAYME ANTONIO RAMOS

historiasdopari.wordpress.com

Sim , todos nós às vezes damos verdadeiros foras , alguns tão grandes que são

chamados de ratas. Mas, tem algumas pessoas que primam por comentários

inconvenientes, todos conhecemos alguma figura assim.

Dona Emengarda Felícia , claro que é um nome fictício, é uma dessas figurinhas

carimbadas. Dona Eme, vamos chamá-la dessa maneira, me conhece , pois é bem

mais idosa que eu , há muitos anos, desde o meu nascimento.

Há décadas mudou de religião e vive pregando pelas portas com outras colegas.

Para as pessoas que conhece há mais tempo não fala de religião , pois como se

diz , santo de casa não faz milagres.

Nas minhas caminhadas pelo bairro, às vezes eu a encontro , batemos um papinho rápido e continuamos a andar , pois temos vários afazeres e  o dia é

curto .

Coincide de encontrarmos amigos em comum e dona Eme , dona de uma memória invejável , pergunta pelo nome por parentes de todos. Aliás dona Eme , tem uma saúde perfeita, como ela diz , graças a Deus, do alto dos seus oitenta anos.

Um dia desses conversávamos animadamente em plena Rio Bonito, quando en-

contramos um antigo morador , que todos os meses vem receber a aposentadoria num banco do bairro, apesar de morar no Tatuapé, exatamente para rever pessoas e lugares, chama-se Manolo. Manolo é pastor da igreja que a Eme frequenta. Pois bem , feitos os cumprimentos iniciais , dona Eme dá o seu bote , no dialeto típico da nossa região: " Cê tá vindo muinto aqui no bairru, num sei nãum, devi tê arguma mulhé na parada, heim, vô falá prá Ofélia Irda ( esposa do Manolo ), tomá mais cuidadu"

Claro que foi brincadeira, porém Manolo que se acha pastor 24 hs. , ficou lívido e eu , que tenho estima pelos dois , fui logo mudando o assunto e ela morrendo de rir. Logo, logo,ela se tocou e foi se despedindo e ele foi se recompondo aos poucos e tentou começar a falar poucas e boas da sua fiel e eu falando do tempo

que eu era criança e ia ver os jogos do Estrela, meu pai depois que estourou o joelho jogando futebol, passou a fazer um bico de massagista no Tigre do Canindé. Pois bem comecei a falar da categoria de Manolo como zagueiro do alvi-verde e ele entrou em outro assunto.

Um outro dia eu a encontro novamente novamente na Rio Bonito e passa um rapaz , cujo pai era jogador de malha no Estrela e o mesmo perguntou pela família , filhos , esposo , aí veio a pérola, os filhos estavam bem , mas  o marido passa o dia no sofá dormindo e vendo tv,"tamém só mija no pé ...". Pronto , outra, essa eu não aguentei e fui me despedindo, deixando o assunto para o rapaz, que sorria meio desconcertado,

Outro dia, a encontrei na porta do banco , estava com um amigo libanês, o apresentei e frisei que ele é corinthiano, pronto dona Eme , palestrina de família, bateu na jugular , "Nossa!  num parece , né? cê teim todus denti !" O libanês deu um sorriso amarelo e perguntou se ela era corinthiana também , ao que ela bateu seco , agora no fígado, "eu num nasci na zona...", pronto, eu não aguentei e fingi que o celular estava tocando no vibra e comecei a manter uma hipotética conversa e a tirei da jogada, me despedi da Eme , dizendo que a conversa telefônica era longa. e a qualquer hora nos veríamos novamente.

Mas, independentemente de qualquer coisa , sempre é solícita com as pessoas , ajuda várias , o problema é que ao levantar se esquece de tomar em jejum um comprimido de Semancoll e se os sintomas persistirem , um médico deverá ser

consultado.