LUA   DE   MEL

JAYME ANTONIO RAMOS                           sogra-na-lua-de-mel

A  SOGRA NA LUA DE MEL

Laurindo era o chamado bom partido. Rapaz bonitão, sem vícios , tinha um ótimo emprego, enfim um bom partido, como se diz popularmente.

Durvalina sua namorada, uma boa menina, tinha um bom emprego , namorava Laurindo des-

de os 15 anos, primeiro e único namorado.

Era um namoro , que tinha tudo para dar certo , segundo os padrões vigentes.

Após o noivado, começaram os preparativos para o grande casamento , todo mundo colaborando, ambos eram filhos únicos, portanto tios, primos, avós de ambas as partes, fa-

ziam parte da Comissão de Festejos, digamos assim.

Os meses passando rapidamente, as mães se reuniam sozinhas, para planejar tudo, portanto ao casal , nada restava, a não ser… casar, porque tudo , nos mínimos detalhes era elaborado pelas mães, principalmente da parte de dona Gardênia, progenitora  do noivo.

Dona Gardênia, tomou conta da situação, possessiva e mandona como era. A noiva , coitada da noiva, já não aguentava de tantos palpites. Afinal chegava o grande dia, tudo perfeito, casamento civil, casamento religioso, festa, músicos, tudo sob a a batuta perfeccionista de Gardênia. Terminada a cerimonia, os noivos embarcaram para o litoral alagoano onde passariam a lua de mel. Durvalina respirava aliviada com  o fim daquilo tudo e aí sim poderia curtir a lua de mel com o seu amor. O tradicional" enfim, a sós" nunca foi, digamos, proclamado com tamanha propriedade, principalmente da parte de uma noiva. Foram a Maceió, passaram uma noite maravilhosa, de manhã foram a praia, passearam, se deliciaram com as maaravilhas da cozinha nordestina, tiraram inúmeras fotos.

No princípio da noite, os dois pombinhos votaram ao hotel, todo agarradinhos, cheios de amor para dar, foram a portaria pedir a chave do ninho de amor, quando, avisados pelo concierge do hotel que havia uma pessoa à procura do casalzinho e que estava numa sala de tv do hotel a espera

dos dois. Ué? quem será ? ó dúvida cruel!

Eles foram rápido para a tal sala e lá estava ela , a zica, a  tranqueira da dona Gardênia, com uma malinha, com seu indefectível birote e com a cara amarrada,  pois estava desde as 13hs. a espera dos dois e já eram 20.30 hs. e falou que como a lotação do hotel estava esgotada , ela já conseguira uma terceira cama para o mesmo quarto, isso mesmo, o agora ex-ninho de amor.

E falando como uma metralhadora, falando que estava muito preocupada com o casal, que eles poderiam precisar de alguma coisa, sacumé, né …

Pronto, estava decretado o fim da lua de mel tornando os demais dias , uma coisa enfadonha,

até que o próprio Laurindo , reconhecendo a falta de pique resolveu diminuir o tempo da lua de mel e todo mundo voltou para São Paulo.

Esta história além de ser verídica, com os nomes  das pessoas sendo trocados, aconteceu por duas vezes, com casais diferentes e foi muito comentado na época e ainda o é pelo pessoal da Velha Guarda pariense.