O REI DA LÁBIA

Até que ele causava boa impressão, falsa é verdade, mas causava a impressão de

um tipo bonachão, sempre falando dos filhos, graças a Deus daqui e dali , uma barriguinha de cerveja. Parecia

um homem fiel cumpridor dos seus deveres. Mas Manoel Mathias era justamente

ao contrário, faltava muito ao trabalho, chegava  atrasado com as desculpas mais es-

tapafúrdias. Há uns meses o encarregado da seção em que trabalha, lhe aconselhou

a escrever um manual para desculpas, disse-lhe ainda que ele ficaria rico.

Seu apelido Mamá, um belo dia ligou para a firma que a sogra estava passando muito mal,

estava procurando uma ambulancia para leva-la ao PS, pois de carro não era possível e tal

e coisa e loisa. Nesse dia o fator sorte não estava com o Mamá, pois logo após o almoço,

dona Fifoca, sua sogra, liga a procura do genro para saber se estava confirmada a viagem

do dia seguinte para Marília, a telefonista disse que ele havia faltado para leva-la ao

PS, pois ela estava muito mal e a mesma que de nada sabia, disse que estava voltando do

SESC a pé , 4 km e que não sabia de nada.

Quando o filho menor ainda era criança, faltava sempre para leva-lo ao médico.

Depois de uns anos , noutra firma é claro, faltava para levar o neto ao médico.

Duas vezes faltou e ligou para a firma que o pai havia morrido, quando o gerente

lhe falou que há uns dois anos o seu pai ja´havia morrido , Mamá disse que na primeira vez

fora rebate falso e após um milagre , o seu pai houvera ressuscitado praticamente.

Carro deu problema, pneu que furava, radiador com pouca água, enfim o seu Opala

azul pagou o pato dos seus atrasos muitas vezes.

Gostava de dar pequenos presentinhos ou de fazer pequenos favores, para logo em seguida cobra-los.

Uma das mentiras sensacionais foi a de que o trânsito havia parado pois caíra, naquela manhã de sol e sem vento, um coqueiro na avenida Marginal do rio Tietê, essa foi demais, ninguem aguentou, todos riram a valer e ele com a cara mais cínica, tentava explicar, liga para o CET, liga para o CET , eles vão comprovar.

Essas desculpas são algumas que ele levava e leva às empresas, são apenas algumas delas,

realmente um dos seus encarregados nas diversas firmas que trabalhou , diante das pilhas de atestados e declarações, verídicos e falsos que ele entregava, falou :" É um artista , ô imaginação fértil, tem que escrever um livro mesmo! caramba!" .