Antes de contarmos mais uma história do Pari, vamos explicar

que na realidade serão alguns mini-contos dentro da mesma história.

Falemos da criatividade dentro do Pari. Como sabemos a origem do nome do bairro, a arma-

dilha que os índios faziam para pescar mais peixes no rio Tietê, então sabemos de antemão,

que falaremos de criativos e pescadores, sem nenhum demérito a estes últimos.

Então vamos lá , à série "Criativos".

Criativos devido à criatividade intelectual de vários parienses vivos ou falecidos , que numa

homenagem e de agradecimento , vou tentar transmitir a voces , meus amigos parienses.

Novamente vou falar , que mudarei nomes, embora algumas histórias criativas aqui relacionadas, são de pleno conhecimento de vários. Mas , um dia, um leitor me disse que não existem histórias velhas , existem pessoas idosas , não custa nada tentar. a bem da verdade em nenhum momento vamos chama-las de mentiras, pois ouvimos e vemos na mídia a cada momento, as coisas mais absurdas e ninguem as chama de inverdades, porque chamaremos esses parienses de mentirosos. Não! mentiras nunca! são apenas e tão sòmente a  fertilidade do imaginário popular pariense.

As pessoas de minha geração, hão de se lembrar do Banks, sim esse era o seu nome , quer dizer,

para entrar no espírito da história, esse não era o  seu nome. Banks, frequentava muito um clube da Vila Esperança, clube de bailes  na época do auge do ié-ié-ié," Os bocas de sino",lembrando a moda de calça muito usada naqueles anos . Banks , morava no Pari, mas tinha vários parentes naquele bairro da Zona Leste paulistana. Claro, lá ele era o melhor dançarino, o maior galã. Como acontecia muito na época, os jovens não suportavam que viessem jovens de outros bairros, pois , segundo eles, para fugir à rotina, as minas da vila davam bola para os forasteiros, despertando ciumes nos locais.

Um dia, veio uma turma de boys da Moóca, caras novas e começaram a dançar e a encantar as "mina " esperancenses.

O clima começou a esquentar, a temperatura a mil, o conjunto ( assim se chamavam as bandas da época ) percebendo a situação , começou a tocar um repertório mais romântico, para se dançar com o rosto coladinho, piorou.

Irmãos , primos, ex e futuros namorados das meninas começaram a se agitar. Pronto, a briga estava armada , só faltava riscarem um fósforo. Esse fósforo foi aceso , quando um amigo de Banks, derramou propositalmente um copo de cuba libre no " mino" mais bonitinho da Moóca.

Aí o pau quebrou geral, cadeiras voando, rasteiras, a banda tocando sem parar, o pessoal do bar

atônito , nisso o pessoal da Moóca bateu numa retirada estratégica e desesperada, quer dizer mais desesperada que estratégica. Correram em direção da Kombi em que vieram, todos conseguiram entrar no veículo, que arrancou a toda.

Porém, Banks, que vira sua prima , a bela Doroty, dançando de rosto coladinho com um móquense, estava irado e como um dos precursores , segundo ele do bom e velho karatê, correu e deu uma tesoura voadora na Kombi, no maior estilo do lutador de luta-livre da tv da época, o Ted Boy Marino e pasmem, a perua lotada capotou e se não fosse uma viatura da polícia estar na hora estar passando pelo local , os boys seriam linchados. Houve xingamentos , todo mundo para a delegacia e o delegado pôs em dúvida a habilidade de lutador do pariense Banks.

Essa ocorrência, um dos ícones da crônica imaginária pariense foi contada no Pif-Paf, pelo próprio Banks, na sua maneira típica de narrar as suas várias atuações, portanto digna de toda a credibilidade, numa confirmação de que o que importa não são os fatos , mas a versão dos fatos.

JAYME ANTONIO RAMOS

mentiroso