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O Milagre da Partilha no Pari



Localizada num bairro que ainda conserva edifícios pequenos, a Igreja Santo Antônio do Pari tornou-se ponto de referência para os paulistanos com suas torres majestosas, especialmente para aqueles que moram nos bairros do Pari, Brás, Santana e Vila Guilherme. Desde 2006, contudo, o que se via de um dos mais belos cartões postais de São Paulo era uma imagem triste e feia, com as marcas do incêndio que destruiu toda a lateral direita, inclusive uma das torres, um dia depois da festa do padroeiro, no dia 13 de junho. Mas essa história é passado. A igreja da Paróquia Santo Antônio do Pari, administrada pelos frades franciscanos da Província da Imaculada Conceição, está finalmente restaurada e pronta para celebrar o seu centenário em 2014.
Depois de cinco anos de restauros, o guardião e pároco Frei Gilmar José da Silva entrega à comunidade a igreja totalmente reformada. "O pouquinho doado por muitos paroquianos e devotos ajudou na realização deste milagre. Tudo o que posso fazer é agradecer e parabenizar a todos!", comemora Frei Gilmar, mais aliviado depois de tantas preocupações para finalizar o projeto do restauro. Segundo Frei Gilmar, não houve patrocínio privado e muito menos público. "Foi a própria comunidade que se mobilizou e, através de campanhas - almoços, bingos, bazares, jantares e bailes -, conseguiu concluir mais esta etapa", acrescenta o pároco.
De 2006 a 2008, foram realizados os trabalhos internos: todo o telhado na parte direita foi refeito, os bancos foram reformados, novos pisos foram colocados. Imagens e altares laterais foram restaurados, as vias-sacras foram reconstituídas, idênticas às originais. Nesta fase, o pároco Frei Gilberto Piscitelli coordenou as obras.

Quando chegou, em agosto de 2008, Frei Gilmar construiu um novo velário, no lado externo da igreja, uma medida importante para que se evite novos desastres. Dinâmico e empreendedor, Frei Gilmar também reformou o salão paroquial, para que pudesse oferecer uma estrutura mais moderna e confortável para os eventos que promovia visando arrecadar fundos para o restauro.

Nesta última etapa, além da grande reforma das torres, todo o telhado da igreja foi trocado e a parte externa ganhou uma nova pintura. "Como você pode ver, o telhado é diferente. As belas telhas são feitas de um material sintético e foram importadas do Canadá", conta o pároco, explicando que esse telhado é composto pelas telhas shingles (também chamadas asfálticas), produzidas com manta de fibra de vidro, embebida em asfalto a 90 graus celsius, que ganham jatos de gravilha (pigmentos cerâmicos coloridos) e, posteriormente, recebem a forma compactada. "São resistentes a ventos de aproximadamente 100km/h e são mais leves", explica Frei Gilmar.

O grande desafio, agora, é a reforma do Convento da Fraternidade, principalmente a parte antiga, que está em acelerado estado de decomposição devido aos cupins e ao tempo. "Temos alguns altares para serem restaurados na parte interna da igreja, mas esse trabalho poderá ser feito com mais calma e organização. O órgão, um dos maiores da cidade de São Paulo, também passa por um processo de restauro", completa Frei Gilmar.


Quase cem anos de fundação

Fundada aos 2 de fevereiro de 1914 por Dom Duarte Leopoldo e Silva, a Paróquia Santo Antônio do Pari teve como seu primeiro pároco Frei José Rolim que, vindo de Portugal por causa da guerra. Ele ficou à frente da paróquia até 27 de agosto de 1916, quando foi sucedido por Frei Felipe Niggemeier. Conta a história que "na carência de igreja ou capela apropriada, Frei José Rolim alugou uma sala de um sobrado, que hoje faz esquina da rua Müller com a rua Maria Marcolina."
Arthur Vautier, proprietário de vastos terrenos no bairro, vendo o dinamismo do frade português, doou um terreno para a construção de uma igreja. Em agosto de 1922, o vigário e superior do Pari Frei Olivério Kraemer deu início à construção da "bela e vasta" matriz, que foi entregue ao culto divino em 13 de junho de 1924. A igreja mede 60 metros de comprimento, 28 metros de largura e 15 metros de altura.
Em 24 de agosto de 1923, sucedeu a Frei Olivério, Frei Paulo Luig, que se tornou a coluna do Pari. Governou a paróquia durante 15 anos, com entusiasmo extraordinário. Continuou a construção da Igreja, já adiantada e coberta, adornando a com 15 altares, 6 confessionários, forro, batistério, bancos e duas imponentes torres de 52 metros de altura e de 8 metros de largura.
Os altares, todos em legitimo mármore, foram construídos e solenemente inaugurados entre os anos de 1925 e 1929. O Púlpito, todo em legítimo mármore de cores e incrustações de alto relevo de madeira, imitando bronze, foi inaugurado em 30 de novembro de 1930. A sagração dos sinos realizou se a 22 de janeiro de 1928 por Dom José Carlos Aguirre e a inauguração da Via Sacra aconteceu em 6 de março de 1927.
A presença franciscana no Pari não se limita à igreja, mas os frades são responsáveis pelo Colégio Santo Antônio do Pari, que é administrado pela Associação Bom Jesus, e também pelas obras sociais da Província, através do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), que só em São Paulo tem cinco grandes projetos sociais, como Centro Infantil Clara de Assis, o Centro de Referência do Idoso Casa de Clara, o Centro de Reinserção Social São Francisco, o Centro Franciscano de Luta contra a Aids e o Serviço Franciscano de Apoio à Reciclagem, além do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase.
A Igreja Santo Antônio do Pari fica na praça Pe. Bento, 831, no bairro do Pari, em São Paulo.
O telefone é (11) 3311-0513. Aproveite para visitar a nova igreja.

















Por Moacir Baggio

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