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From: "Histórias do Pari" <donotreply@wordpress.com>
Date: 2012/2/4
Subject: [New post] As ruas do bairro
To: falecom@bairrodopari.com


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As ruas do bairro

by historiasdopari

PADRE ANDRIGHETTI (RUA)
Denominada pelo Decreto 2310 de 10 de novembro de 1953 Paulo Andrighetti nasceu em 1900. Foi um modesto operário que, através de esforço próprio, construiu o primeiro tear nacional. Faleceu vítima de acidente aéreo quando, a serviço de São Paulo, dirigia-se ao Rio de Janeiro para entendimentos com o governo federal sobre assuntos atinentes à indústria de tecelagem, no ano de 1930.Hoje falo de uma rua do bairro, cujo nome é em homenagem a um grande empresário do bairro. Vemos aqui um testemunho sobre o sr. Paulo:

OS PILOTOS DA VASP E DO AVIÃO COMERCIAL DA TEXACO, DISCUTEM EM UM RESTAURANTE NO RIO DE JANEIRO

"A década de 40 foi marcada por fatos importantes para a história do Brasil, a Revolução Constitucionalista e o regime ditatorial do governo de Getúlio Vargas como presidente, causavam apreensão entre os empresários do país, e, com a inauguração da Usina de Volta Redonda, criava-se a expectativa de que o fornecimento de ferro fosse prejudicado de alguma forma, no que dizia respeito ao suprimento para o próprio país; assim foi, que alguns empresários do ramo metalúrgico, em São Paulo, mobilizaram-se e resolveram viajar para o Rio de Janeiro, para, numa entrevista com Getúlio Vargas, no Catete, esclarecerem pontos importantes para garantir esse fornecimento e até o emprego dos seus operários".

Esta é talvez a mais empolgante história que vou narrar sobre os imigrantes italianos de minha família. A comovente história da vida de meu tio Paulo Andrighetti, irmão de mamãe, Lúcia Andrighetti. Ele era um dos cinco irmãos que nasceram na Itália, antes da vinda da família para o Brasil; os outros seis (inclusive mamãe) eram brasileiros.

Da esquerda para a direita, primos: Eda, Neide e Elmo, tia Luiza, primo Oswaldo e tio Paulo.
A foto foi tirada em 1939, um ano antes do nascimento de meu primo Paulinho, que veio ao mundo no final de 1940, e eu nasci em janeiro de 1941.

Jovem e vigoroso, vontade de vencer na vida, família pobre, com poucos recursos, recém chegada ao Brasil, Paulo Andrighetti fez um curso profissionalizante de mecânica, na Rua Piratininga, e logo após abriria uma pequena oficina em uma travessa da Bresser; negócios a prosperar, ele ampliou a oficina, mudando seu endereço para a Rua Rio Bonito; determinado, e com uma visão bastante moderna do que se aplicaria melhor aos seus conhecimentos, por aconselhamento do nono Vicente, que trabalhava desde que chegara ao Brasil, na S/A Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, Unidade Brás Tecelagem de Seda (ex Ítalo-Brasileira) como tintureiro do setor de estamparia, comprou em sociedade com seus irmãos, Domingos, Ernesto e Sílvio, um terreno à rua Catumby, no Belém, e construíram ali sua oficina que, poucos meses depois, passaria a ser a primeira fábrica, pioneira na fabricação de teares nacionais, e assim, ficaram famosos por sua excelência e qualidade os "Teares Andrighetti", precursores também na técnica de fiação com o sistema de lançadeiras (meu pai, Alfredo Wartusch, foi quem implantou o sistema, adaptando-o aos teares Andrighetti).

Com a inauguração da Usina de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, alguns empresários de São Paulo mobilizaram-se para fazer uma viagem e falar com o então Presidente Getúlio Vargas, no Catete, Rio de Janeiro.
Entre eles, estavam meu tio Paulo Andrighetti, Casper Líbero, Paulo Abreu e outros mais. Tio Paulo, casado com Luiza Jacque, tinha já cinco filhos, Oswaldo, Eda, Neide, Elmo e Paulinho, com 45 dias de nascido. Minha mãe, Lúcia, estava me esperando por aqueles dias e prometeu ao meu tio que me daria o nome de Mirian se fosse menina. A irmã de tia Luiza, Aydeé Jacque, era casada com meu tio Antônio e tinham dois filhos, Nena e Sidney. As duas famílias moravam, uma ao lado da outra, na rua Waldemar Dória no Belém.

Os irmãos solteiros moravam na rua Marcos de Arruda e tia Antonieta, todo fim de tarde, preparava um enorme bule de café com leite, que ficava no fogão à lenha, sempre quentinho, para os que iam chegando do trabalho. Não havia jantar. E quando nono Vicente pedia para tia Antonieta fritar dois ovos para Eda, filha de tio Paulo, que todas as tardes estava na casa do vovô, ela, enciumada, dizia que se a menina quisesse, fosse jantar em sua casa, o pai era industrial.

Antes da viagem para o Rio, tio Paulo levou a família ao Cine São José, numa tarde de domingo e tia Luiza estava muito nervosa, pois ele emprestara o carro – como sempre – ao irmão mais novo, meu tio Rolando, e assim as crianças teriam que ir a pé, e naquele dia não foi diferente; tiveram que caminhar um bocado, desde a Rua Waldemar Dória até o Largo São José do Belém, e tio Rolando também não foi buscá-los de volta, como prometera.

Tia Luiza confidenciou para minha mãe, que na manhã da partida, pela timidez que era imposta às mulheres das famílias italianas, ela não beijou meu tio, como sentira tão forte desejo e ele, já embrutecido pelas enormes preocupações com sua Indústria de Teares, também partiu sem dar-lhe um último e derradeiro beijo.

Os empresários partiram em janeiro do ano de 1941, e tiveram êxito no que pretendiam, pois Getúlio os recebeu, tranqüilizando-os sobre seus temores quanto ao fornecimento de matéria-prima pela Usina, e assim, missão cumprida, decidiram voltar imediatamente para São Paulo, mas, como os vôos eram limitados, e poucos os lugares, nem todos poderiam voltar naquele dia e meu tio tinha pressa, pois pensava no filho recém-nascido e também no meu nascimento.
Assim, um estudante que estava no Aeroporto, cedeu sua passagem ao meu tio, que com outros empresários, inclusive Casper Líbero, puderam ingressar no vôo de volta. Paulo Abreu, amigo íntimo de meu tio, que fez também um grande nome no ramo têxtil, disse que preferia mesmo ir no dia seguinte.

- Quero conhecer melhor as cariocas – disse brincando; e ficou no Rio de Janeiro por mais um dia.

Entretanto, na manhã desse mesmo dia, num restaurante próximo ao Aeroporto, o piloto do avião comercial da Texaco, e o comissário da Vasp que iria pilotar o avião em que os empresários voltariam, iniciaram uma acalorada e terrível discussão, que terminou com a ameaça de que o piloto da Texaco iria subir com seu avião, assim que o avião da Vasp decolasse e iria jogá-lo contra ele – disseram as testemunhas que estavam presentes – ao que o comissário da Vasp retrucou:

- Não faça isso! Mataria pessoas inocentes que nada têm a ver com nossa discussão. Vamos resolver tudo aqui mesmo!

Mas a polícia interveio e a briga acabou por ali – acabou, em termos..., pois, infelizmente, ele cumpriu a promessa, e, às 14:30hs daquele mesmo dia, quando o avião decolou e ganhava o ar sobre a Baía de Guanabara, o avião comercial da Texaco também subiu tenebrosamente para o que seria o último vôo dos dois, e atirou seu pequeno veículo sobre o outro, que se incendiou e explodiu, indo precipitar-se nas águas da Baía para deixar apenas um sobrevivente, que, segundo relato de minha prima Eda, com quem apanhei esses depoimentos, ninguém recorda o nome, testificou que durante o incêndio, antes da explosão, um Bispo que estava a bordo, deu a extrema-unção aos passageiros. O avião da Texaco caiu sobre uma casa, matando uma senhora e seu netinho que dormia. Foi algo terrível e difícil de acreditar. Era o primeiro desastre da Vasp.

A notícia foi irradiada imediatamente; uma vizinha de minha mãe escutou e não sabia como iria contar que meu tio morrera, dado o avançado estado de gravidez dela, e foi assim, nessa semana de comoção para os Andrighetti, que no dia 17 de janeiro de 1941, eu nasci e fui batizada de Mirian, como ele pedira à minha mãe.

Minha tia Luiza e minha prima Eda, então com 13 anos, que naquela tarde fatídica, estavam voltando da casa de Ernesto e Maria Mazzoti, que ela fora convidar para serem padrinhos de batismo de meu primo Paulinho, disse à menina:

- Engraçado, não ouvi ainda o avião passar, você ouviu, Eda? (eram poucos os vôos, naquela época e assim, se podia saber o horário em que os aviões cortavam o ar, partindo ou chegando).

- Não, mamãe, não ouvi!

Estavam subindo a rua Marcos de Arruda, quando um amigo da família que ouvira a notícia pelo rádio, comunicou à minha tia o acontecido e foi difícil ela entender - o rapaz era gago, e meu tio o ajudava sempre que necessitava de alguma coisa - tomado que estava pela emoção, tanto gostava de meu tio, que era realmente querido demais na região, mas acabou entendendo o que ele dizia:

- O avião do Paulo caiu!

Os três irmãos mais velhos, Domingos, Ernesto e Sílvio, viajaram para identificação do corpo, que só foi reconhecido pela mão – meu tio perdera um dos dedos numa das máquinas da Oficina – e pelos documentos que estavam no paletó. A cabeça e o resto do corpo, estavam irreconhecíveis.

Foi de comoção também a morte de Casper Líbero; e Paulo Abreu, que resolvera ficar no Rio de Janeiro, pois não havia lugar no vôo para ele, quis o destino, escapou de morrer com os amigos - o estudante que cedeu sua passagem ao meu tio, há algum tempo deu esse depoimento no programa do Jô Soares.

Muitos dos operários da Fábrica de Teares, procuraram minha tia, dizendo que meu tio emprestara dinheiro a eles, sem cobrar juros, para que comprassem suas casas e foram devolvendo aos poucos a ela, enquanto que outros nada disseram e apesar de saber disso, minha tia também jamais cobrou nada deles.

O corpo de meu tio chegou a São Paulo às 12:30h do dia seguinte, acompanhado de dois policiais, que ficaram ao lado do caixão que estava lacrado, até o final do enterro.
O séquito foi realmente comovente, onde tantas e tantas pessoas quiseram prestar-lhe sua última homenagem.
Foi sepultado no jazigo da família, no Cemitério da Quarta Parada, onde há bem pouco tempo comparecera para sepultar seu pai.

Ele pagara a viagem do nono Vicente que pôde voltar à Itália antes de morrer, para rever amigos e parentes que haviam ficado por lá, e a Eda contou a grande festa que fizeram quando ele retornou – todos foram para o Rio de Janeiro de trem, numa viagem inesquecível, em que meu tio Paulo Andrighetti e todos os irmãos e seus filhos, foram abraçar seu velho pai que uma vez mais chegava ao Brasil, feliz, pois satisfizera seu desejo de rever a velha Itália, mas quase não o reconhecerem, tão doente estava – ele se vestia sempre de preto, terno, colete, chapéu e gravata – e logo após, internado no Hospital Santa Catarina, apesar das transfusões de sangue doado por seus filhos – ele estava com o estômago perfurado - viria a falecer. Seu médico era o Dr. Scheder, muito conhecido.

Depois da morte de tio Paulo, ficaram na sociedade meus tios Ernesto, Sílvio, Antônio, Domingos e mais tio Rolando, mas as coisas nunca mais foram as mesmas e na sucessão dos filhos, a fábrica se extinguiu.

Em honra ao grande homem que ele foi, teve a placa de uma rua no bairro do Pari inaugurada com seu nome "PAULO ANDRIGHETTI", orgulho para nós, que fazemos parte, como tantos outros brasileiros, do clã de famílias que vieram para o Brasil, imigrantes que deixaram tudo, fugindo de guerras e opressões, e contribuíram grandiosamente para o crescimento de nossa pátria, que se tornou sua pátria também.

Acionada judicialmente, a Texaco pagou uma indenização às famílias, depois de decorridos 15 anos.

Nossa merecida e póstuma homenagem a esses imigrantes fantásticos!

Autora: Mirian Warttusch


Webdesigner: Damáris C.Gomes

historiasdopari | Fevereiro 4, 2012 at 10:05 pm | Categorias: Uncategorized | URL: http://wp.me/pIYGg-1nY

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