Vou transcrever a mensagem eletrônica enviada pelo nosso amigo José Fernando Rebelo Gonçalves , importante membro do
nosso querido blog historiasdopari.wordpress.com

 

Boa noite, Jaime...

Aqui está uma contribuição muito especial feita pensando no seu pedido e no nosso blog. Sugiro que deixe as fotos nos tamanhos originais para que aqueles que clicarem nelas possam se divertir com os detalhes...

O Pari e o tempo...

A foto preto e branco é de um dos maiores fotógrafos da evolução urbana de São Paulo de seu tempo: Aurélio Becherini (1879-1939). Ela é parte de uma foto maior que mostra a Estação Júlio Prestes em construção, tomada do alto da torre do Liceu Sagrado Coração em direção ao Jardim da Luz, presente no livro com o mesmo nome do fotógrafo, Editora Cosacnaify, 2009, páginas 183 e 184. Esta parte da foto mostra o bairro do Pari em 1924. Curiosamente o livro aponta o ano como sendo 1914, e vou discordar justamente por causa da maior curiosidade em relação a nós, parienses: a Igreja Santo Antônio do Pari contava apenas com uma torre pronta, a do lado direito para quem estiver defronte a igreja. Como sei que a pedra fundamental data de 1922, é mais lógico supor que esta foto foi tomada dois anos depois do início da construção. Nela vê-se em primeiro plano, abaixo, parte do pátio de manobras e dos galpões da E. F. Sorocabana (Júlio Prestes), encostados na via da São Paulo Railway (Luz), depois o Jardim da Luz, a Chaminé da Luz, o Quartel do Batalhão Tobias de Aguiar (1891), a Igreja Santo Antônio, sendo distinguíveis a torre direita, a nave e a base da torre esquerda, os eucaliptos do Serra Morena, as chaminés e galpões das fábricas dos Matarazzo no Belém, o perfil dos bairros da Vila Guilherme e da Vila Maria e, ao alto e à esquerda, parte da Serra da Cantareira.

A foto colorida é de 2013 e foi tirada do 23º andar do Edifício CBI, no Vale do Anhangabaú, onde hoje funciona a sede do CAU-SP (Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo). Nela vemos, entre tantas referências, da esquerda para a direita, parte do Edifício Mirante do Vale (ex-Palácio Zarzur e Kogan), um pedacinho da avenida Prestes Maia no ponto  da curva que é o início da rua Carlos de Souza Nazaré (o exato curso do ribeirão Anhangabaú, canalizado debaixo dela na direção do Tamanduateí), as torres de iluminação e o estádio da Lusa, o Panelão (Complexo Administrativo da Polícia Militar) da Avenida Cruzeiro do Sul, os eucaliptos da Escola Técnica Federal da rua Dr. Pedro Vicente, um pedacinho do prédio da rua Padre Vieira, a Igreja Santo Antonio, os prédios da Vila Guilherme atrás do Carrefour, os da rua Paulo Andrighetti, o novo prédio da rua João Teodoro/Elisa Whitaker, a nave e a torre da Igreja Santa Rita, o hotel da rua Barão de Ladário e à direita e abaixo a Igreja de São Bento. Ao fundo, é claro, Vila Guilherme, Vila Maria e a Serra da Cantareira. Como se vê, fica cada vez mais difícil ver e reconhecer a cidade em meio ao mar de prédios. Mas ainda estamos no Pari, sem dúvida!

José Fernando Rebelo Gonçalves, agosto de 2013

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