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Valores em Crise no Contexto da Pandemia do Coronavírus


Em face do recrudescimento da crise do coronavirus no mundo, em meados de abril de 2020 a World Values Survey Association - responsável pela criação e gerenciamento do maior e mais profundo estudo mundial de valores sociais, políticos e culturais -, lançou um novo projeto de pesquisa destinado a estudar os valores das pessoas em três momentos da atual pandemia, na fase inicial da crise do coronavirus (primeira onda), após a crise diminuir seu impulso (segunda onda) e na fase atual da crise (terceira onda). A pesquisa se insere nos esforços de investigação do Instituto Sivis, uma organização sem fins lucrativos e apartidária que tem parceria com o GT da Qualidade da Democracia do IEA/USP e que visa construir um Brasil mais democrático, solidário e colaborativo por meio do fortalecimento da cultura democrática brasileira.
O principal objetivo da pesquisa em curso é descobrir como a percepção dos entrevistados sobre a crise do coronavirus se transformou ao longo da pandemia e como essas mudanças de perspectiva afetaram seus valores morais e orientações sociais e política, inclusive no que se refere ao regime democrático. O painel inicial é composto por cerca de 3.543 entrevistados, que responderam ao questionário entre maio e junho de 2020, residentes nas cinco regiões do país, com características representativas da população brasileira. As questões estavam organizadas nos seguintes blocos: Percepção de crise; Valores morais; Traços de personalidade; Orientações sociais.
Quanto às questões políticas que tocam o tema da qualidade da democracia, a maioria dos entrevistados concorda em algum grau que a democracia é a melhor forma de governo, sendo que 40,1% concordam totalmente e 35,8% concordam em parte. A pesquisa pediu que os entrevistados expressassem seu grau de concordância ou discordância também com a frase “quando há uma situação de crise, não importa que o governo passe por cima de leis, do Congresso ou das instituições com o objetivo de resolver os problemas e melhorar a vida da população”. Apenas 17,5% dos brasileiros discordaram totalmente da frase, indicando que 82,5% deles aceita, em algum grau, relativizar o regime democrático. Isto é um indício do que o compromisso dos brasileiros com a democracia pode não estar ancorado em bases sólidas, pois nada menos que 73,6% dos brasileiros que dizem concordar totalmente que a democracia é a melhor forma de governo aceitariam relativizar o regime em situações como a da crise do coronavirus. O debate vai enfrentar as implicações desses resultados da pesquisa mencionada.
A live do dia 10 de março vai discutir os resultados da primeira de uma série de três ondas de pesquisa que mostram que a pandemia provocou efeitos importantes na situação econômica dos entrevistados: 40% deles receberam algum tipo de auxílio emergencial na primeira fase, enquanto 34,6% sofreram impactos econômicos severos como a perda de emprego ou fechamento do negócio próprio. A expectativa dos entrevistados para o futuro é fortemente negativa. Praticamente 2 em cada 3 brasileiros acreditam que o país sairá gravemente prejudicado da crise do COVID-19. Apesar disso, 44,8% dos brasileiros dizem ter experimentado mais solidariedade em suas interações durante a pandemia. Participantes: Diego Moraes (Instituto Sivis) Thaíse Kemer (Instituto Sivis) Moderação: José Álvaro Moisés (IEA/USP) Organização: Grupo de Pesquisa Qualidade da Democracia
Instituto Sivis

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