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Pari - 446 anos


Localizado entre os rios Pinheiros e Tamanduateí, o Pari remonta sua história a uma aldeia de pescadores que se expandiu após a criação de ferrovias e a imigração europeia nos séculos XVIII e XIX. Segundo historiadores, o nome do bairro refere-se a um instrumento de taquara ou cipó utilizado para pesca artesanal e que era utilizado na região. Os moradores – que se autodenominam “parienses” - contam que há certa dúvida se a data correta de origem do bairro é 9 ou 10 de novembro de 1576, quando um pequeno povoado se formou ao redor do rio Tetê. Mas, para eles, não importa: o Pary (como era a escrita antiga) completa 446 anos em 2022, com certo saudosismo e olhar para o futuro, agora com o bairro caracterizado pelo comércio popular de rua, em especial com famílias de procedência latinoamericanas e asiáticas. “O Pari não foi fundado como a maior parte dos bairros da cidade, ele não teve uma criação fixa, ele foi se formando, se expandindo, e aumentou mais com as estradas de ferro, quando se tornou um bairro operário e bem localizado, no caminho para o Centro de São Paulo, e com chácaras ao redor e que acabaram dando origem aos demais bairros da região central”, conta o aposentado Jayme Ramos, “guardião” da história do bairro e autor do blog “Histórias do Pari”. “Lembramos com orgulho da história do bairro, que tem um traço bastante operário e industrial têxtil e recentemente está sendo alvo de muita transformação. O mundo todo muda, os bairros mudam também”, explica Ramos. Moradora do Pari, Fátima Martins Capela Lombardi diz que sua família era uma das mais tradicionais do bairro, onde nasceu em 1950. “O bairro é composto, principalmente, por imigrantes, ou famílias de imigrantes, sejam portugueses, como o meu caso, italianos, espanhóis e também migrantes do interior do estado ou de outros Estados. O bairro era marcante e parecia uma pequena cidade do interior onde todos se ajudavam e se davam bem. Todos se conheciam e se deliciavam com o cheirinho de biscoito que as fábricas locais exalavam. Era um bairro amistoso”, diz ela. A irmã de Fátima, Marlene, já falecida, fez, quando ainda era criança, um hino em homenagem ao bairro. A música retrata cenas típicas locais, com trechos citando “crianças em algazarra”, “pagodes e batucas”, o rio Tamanduateí, as “pombas e os bem-te-vis”. O hino foi em cartório em 2007 e, desde então, um projeto de lei tramita na Câmara Municipal de Vereadores para que ele se torne “oficial”. “O Pari para mim é uma escola de vida e de amizades que guarda uma parte boa da minha história e da história da cidade. Tudo passa por aqui”, diz o filho de Marlene, o jornalista Wagner Wilson. Wagner é um dos moradores mais nostálgicos do Pari e participa ativamente da comunidade local, entre elas as atividades na Paróquia Santo Antônio do Pari, ponto turístico do bairro e conhecida pelas celebrações em homenagem ao santo casamenteiro. Por ocasião da passagem pelo aniversário, a Subprefeitura Mooca parabeniza todos os seus moradores, bem como os que trabalham no Pari, por fazerem deste um lugar tão especial. Homenagem Subprefeitura Mooca https://www.prefeitura.sp.gov.br/cida... Instagram Subprefeitura Mooca https://www.instagram.com/reel/Ckvnfk... Instagram do Cartunista/Jornalista Wagner Wilson https://www.instagram.com/wagner.wilson/ Paróquia Santo Antonio do Pari https://www.instagram.com/santoantoni...

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