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sábado, 22 de março de 2014

Mulheres que FAZEM e ACONTECEM

Data comemora conquistas, mas ainda há muito para ser modificado

Eduardo Cedeño Martellotta

Em 8 de março foi comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data tem sua importância no sentido de discutir o papel da mulher na sociedade atual. Cada vez mais se destacando, ocupando cargos altos em empresas ou no meio político, a mulher hoje desempenha dupla ou tripla função, ao ir para o trabalho, chegar em casa, cuidar da casa e dos filhos.
O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.

A Super Mãe
A presidente do Projeto Amamos São Paulo, Dona Lena Mota, disse, em entrevista ao Jornal do Brás, que falta ainda valorização à mulher, por ser mãe, patrona da família e esposa ao mesmo tempo.
Para ela, foi-se o tempo em que a mulher ficava em casa esperando o marido. Hoje a mulher moderna “arregaça as mangas e vai à luta”. “A mulher do terceiro milênio vai para a empresa, chega em casa, vira dona de casa e exerce o papel de mãe”, contou Lena. É a Mulher Maravilha ou Super Mãe, das histórias em quadrinhos para a realidade.
Dona Lena mora há mais de 50 anos no Brás. Mãe da Erika, da Kênia e do Emerson, ela lembra que veio ao bairro ainda menina. Sua avó era italiana e o pai, nordestino. Atualmente desenvolve projetos sociais com famílias carentes no Amamos São Paulo. “Eu me sinto feliz em estar no bairro do Brás. Aqui tenho muitos amigos”, orgulha-se Dona Lena.

Qualidades femininas e atuação política
A proprietária da conhecida Boutique Cigana do Pari, Marlene Capela Wilson, até hoje se mantém muito próxima dos filhos agora adultos Wagner, Cristiane, Frank e Erick.
Para ela, todo dia é Dia da Mulher. Marlene é contra a disputa entre a mulher e o homem. “Um precisa do outro para ser bem-sucedidos. A mulher tem que ser companheira e caminhar junto com o homem, e vice-versa”, explicou, ao Jornal do Brás.
Porém, Marlene acha que a mulher é mais intuitiva, ponderada e calma para a tomada de decisões. “A mulher, às vezes, na palavra, tem muito mais força do que o homem”. Outra qualidade é a sinceridade. “A mulher fala logo o que pensa. Se ela sente alguma coisa, não precisa nem falar. Está nos olhos. A pessoa sabe que ela está sendo sincera”.
Quando cursava a Faculdade de Filosofia, Marlene frequentava uma classe com 30 homens e somente duas mulheres. Ela desenvolveu ao final do curso um TCC – Trabalho de Conclusão de Curso que tinha como tema “As mulheres na política”.
A participação das mulheres na política, ressaltou Marlene, é importante pela sensibilidade, delicadeza e pelo seu “sexto sentido”. A mulher muitas vezes tem na política, a capacidade de intuição e percepção que o homem não tem, de acordo com ela. “Ela entende melhor os problemas da sociedade”, completou.
Outro aspecto positivo que a mulher tem, em relação ao homem, é a religiosidade. Marlene acredita que a mulher é mais voltada à espiritualidade do que o homem. Isso vem da formação da mulher, não é um dom, acrescentou Marlene. Essa espiritualidade dá mais força para a pessoa do sexo feminino, disse ela.
No mundo do século 21, os homens estão indo para a cozinha também, por necessidade, contou Marlene. Já as mulheres “foram largando as saias, os chalés e puseram calças e paletós”, disse ela. Mas, existe um problema: “Por mais que ela queira fazer tudo o que o homem faz, fica sobrecarregada”.
Marlene, criada em um ambiente de trabalho – o pai sempre trabalhou fora e a mãe cuidava dos 11 filhos e de um bar, defende que para ter sua posição no mercado ou na família, a mulher tem que conquistar a sua independência financeira. “Desde cedo, eu nunca deixei de trabalhar. Sou feliz por ser mulher”, disse Marlene, finalizando a entrevista.

História do 8 de março

No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).
No Brasil, o Dia Nacional da Mulher é comemorado em 30 de abril. A data foi instituída em 1980, como homenagem a Jerônima Mesquita, a enfermeira brasileira que liderou o movimento feminista no Brasil, e fundou o Movimento Bandeirante, que tinha como objetivo principal promover a inserção da mulher em todas as áreas da sociedade. Jerônima Mesquita esteve também envolvida na criação do Conselho Nacional das Mulheres.
A data do Dia Nacional da Mulher foi escolhida por ser o dia do nascimento de Jerônima Mesquita e a lei que instituiu a data no Brasil foi a 6.971/1980.

Conquistas das Mulheres Brasileiras 
Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.
Em setembro de 2006 a Lei 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha, entra em vigor, fazendo com que a violência contra a mulher deixe de ser tratada como um crime de menos potencial ofensivo. A lei também acaba com as penas pagas em cestas básicas ou multas, além de englobar, além da violência física e sexual, também a violência psicológica, a violência patrimonial e o assédio moral. A lei ganhou este nome em homenagem à Maria da Penha Maia Fernandes, que por vinte anos lutou para ver seu agressor preso. 


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Dona Lena do Projeto Amamos São Paulo













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Marlene Capela da Boutique Cigana











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A Valdete da bombonière
Maria Valdete está há 18 anos no Brás, é proprietária de uma bombonière chamada Valdete Doces e Salgados na rua Rio Bonito, 185. Ela disse ao Jornal do Brás que a data representa muito para ela, por ser muito querida no bairro.
O local é frequentado por pessoas de várias posições sociais e nacionalidades – bolivianos, paraguaios e nordestinos. Ela vende no local, bolos, salgados, doces e bebidas, sempre atendendo bem a todos.
Natural de Francisco Badaró, Minas Gerais, Valdete veio a São Paulo ainda criança, estabelecendo-se no Canindé (próximo ao Restaurante Minuano). Depois de 30 anos montou o seu negócio. A bombonière de Valdete funciona de segunda-feira a sábado das 8h às 19h e atende pelo fone 2693-7059.


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Cacau realça a data
Claudilene Pinheiro trabalha há 10 meses como caixa no mercado Super do Brás da rua Itapiraçaba, 427. Moradora de Itaquera, Cacau, como é mais conhecida, disse que o 8 de março está sendo mais valorizado nos dias atuais. “Nós mulheres agradecemos pelo fato de o mundo estar reconhecendo que a mulher tem o seu papel fundamental na sociedade”, ressaltou a vendedora.






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Mãe com tarefa de pai
A diretora da Escola Estadual Romão Puiggari, Andrea Severino, vê o Dia da Mulher como a força da mulher na sociedade, galgando cargos mais altos, tendo em vista que temos uma mulher na Presidência da República, Dilma Rousseff. “Aqui na Romão existe a mãe de aluno que é pai e mãe ao mesmo tempo. É ela quem traz o sustento para dentro de casa. São exemplos de mulheres batalhadoras e lutadoras”, disse Andrea.





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Maria da Penha, ícone da lei de combate à violência contra a mulher











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