Voltamos com as memórias de um pariense com 88 anos  , o Agostinho Lopes Carrilho e que como bom cinéfilo , relembra os tempos áureos

da sétima arte, principalmente na nossa região.

 

" No Brás existiram os cinemas Olímpia e Mafalda, que muitos pronunciavam Mafarda.

O Cine Piratininga tinha 2.000 lugares sendo que na parte superior havia uma só fila com duas poltronas.

O Universo abria o teto e na Matinê entrava a luz solar e na noite é claro, o luar. Uma noite choveu e houve

grande correria.

No lugar do Roxy, hoje está a Igreja Universal.

Naquela época alguns gaiatos numa sessão soltaram rapé na sala e todos espirravam.

Quando inauguraram a tela de Cinemascope no Universo, exibiram um faroeste que quando os índios corriam a cavalo e via-se atrás deles a marca dos pneus do caminhão onde estava a câmera.

Em um filme argentino o ator Hugo Del Carril desceu do automóvel e correu pelo jardim de uma casa, caía um temporal e quando ele entrou na casa  estava enxuto e não havia nas janelas sinal de chuva.

Num outro far west, viu-se ao longe o diretor do filme olhando a gravação através de um binóculo, num filme sobre Roma

antiga viu-se um centurião montado numa biga e no seu braço a marca de relógio de pulso.

Nos filmes brasileiros da época se ensaiava muito para não ter que repetir as cenas o que fez com que o filme "Moleque Tião "com o Grande Otelo e Celso Guimarães, não incorresse nos erros de continuidade acima descritos.

Spielberg dirigiu em 3 D As Aventuras Tin Tin , onde roupas, personagens , móveis e paredes e edifícios são naturais, sendo desenho apenas as fisionomias .

Nos anos 20 , experimentaram o Technicolor em cores vermelho e amarelo com o filme Fantasma da Ópera, causando pavor em muitos espectadores que saiam correndo das salas de projeção.

Ao lado da escola em que estudava quando criança num bazar vendiam às crianças fragmentos de filme, envelopes com 5 quadros e eu numa caixa de madeira de Mate Leão fiz um projetor de slides que exibia na parede de meu quarto e às vezes um pedaço de película que eu projetava dando movimento puxando e tremendo lembrava um filme de terror.

O cineasta Anselmo Duarte tambem fez um projetor de slides sem nunca ter visto um ."