O programa "Entre Aspas" do canal GloboNews exibido ontem, 17/01/2013, com apresentação da jornalista Mônica Waldvogel é assustador.

Esta disponível NESTE LINK para quem quiser revê-lo. Até o quinto minuto da entrevista percebemos a canalhice em forma pura. Desculpas e desmentidos de uma realidade inegável: temos péssimos serviços e pagamos uma das contas mais caras de telefonia do mundo.

Os convidados? João Resende, incompetente presidente da ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações - e Eduardo Lewi, diretor-executivo do SindiTeleBrasil, Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e Serviços Movel Celular e Pessoal.

No dia anterior, 16/01/2013 foram apresentados indicadores que confirmam o desqualificado serviço oferecido pelas operadoras. São os campeões nacionais de reclamação dos consumidores no PROCON. Nas palavras da Secretária Nacional do Consumidor, Juliana Pereira, "Quanto maior o mercado, maior a responsabilidade em relação ao consumidor". As operadoras parecem não entender esta realidade. Melhor, para eles, oferecer o que há de pior e cobrar quanto mais possível. Com anuência da ANATEL. Uma relação simbiótica para lá de suspeita.

Telefonia celular substitui cartão de crédito como campeã de atendimento em Procons
RENATA AGOSTINI - Folha de São Paulo - BRASÍLIA

As empresas de telefonia celular tomaram a dianteira em 2012 no ranking de atendimentos do Sindec, o Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor, que congrega as informações de mais de 2 milhões de atendimentos feitos por 441 Procons do país.

Em 2011, o líder do ranking havia sido o segmento de cartões de crédito.

As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (16) pela Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça.

A operadora Oi foi a líder do ranking empresarial, substituindo o Itaú, campeão de 2011.

Durante o ano passado, o sistema recebeu 172.119 "demandas" sobre telefonia celular --ou 9,17% do total de atendimentos. Em segundo lugar, vieram os bancos comerciais, com 169.427 atendimentos (9,02%); companhias de cartão de crédito, com 154.501 (8,23%); telefonia fixa, com 125.403 (6,68%); e financeiras, com 97.032 (5,17%).

A Secretaria Nacional do Consumidor classifica como "demandas" os atendimentos feitos pelos Procons, e não como "reclamações", porque há consultas que não terminam na abertura de processos administrativos pelo órgão e são resolvidas apenas com o esclarecimento de informações aos consumidores.

No ranking empresarial, a campeã Oi contabilizou 120.374 demandas, seguida por Claro e Embratel com 102.682; Itaú com 97.578; Bradesco com 61.257 e Vivo Telefônica com 44.022.

A participação do setor de telecomunicações no total de atendimentos --telefonia celular, fixa, TV por assinatura e internet-- saltou de 17,46% para 21,7%, o maior crescimento. O setor financeiro, contudo, que reúne bancos comerciais, cartão de crédito, financeiras e cartão de lojas, seguiu com a maior parcelas das demandas: 23,85%. (Continua na Folha...)

Mas esta situação poderia ser chamada de "crônica de uma morte anunciada" imitando o título do excelente livro de Gabriel Garcia Marquez. Em meados do ano passado já havia a certeza que a situação estava insuportável para os clientes.

Notícia da Agência Brasil de 19/07/2012 confirma esta afirmação: Telefonia celular é campeã nacional de reclamações do consumidor, contabiliza ministério.

Ao assistirmos o programa da jornalista Mônica Waldvogel podemos entender porque esta área estratégica do Brasil não funciona, assim como várias outras: estão entregues em mãos incompetentes que se ajoelham à empresas que não tem qualquer compromisso com qualidade, com a ética e com seus clientes.

O Sr Eduardo Lewi chega ao limite da canalhice ao afirmar que os números apresentados não representam a realidade, algo como culpando os consumidores e os indicadores pelos problemas existentes. Não só no programa exibido ontem mas em todas as declarações que encontramos. Um exemplo: SindiTelebrasil minimiza aumento das queixas de usuários da telefonia móvel

O que faz um Sr João Resende à frente da Anatel? Por todos os indícios apresentados mais parece defender os interesses das empresas fornecedoras dos péssimos - e caros - serviços que proteger o livre mercado e os consumidores.

Triste.