R O S E I R A , O DONO DA ÁREA  !!!

Roseira é tambem o nome de um rapaz do bairro. Sim, nome, porque ninguem sabe o seu verdadeiro nome civil e de tanto o chamarem por esse apelido, praticamente  o rapaz in -

corporou o cognome. Quando pré -adolescente tinha acnes no rosto e como a molecada

não perdoa nada , nasceu o Roseira.

Rapaz esforçado, honesto, trabalhador, um verdadeiro cara-família, como diz a lingua -

gem popular. Aliado à essas virtudes é um emérito contador de histórias. Eu, ouvinte de

casos como sabem os leitores deste nosso blog, quando encontro com ele as ouço com a máxima  atenção e com  a licença do nosso contador de hoje, irei contá-las aos poucos.

Pena, que devido ao corre-corre desta São Paulo maluca, poucas vezes batemos papo.

Porém quando conversamos são horas a fio , principalmente ouvindo as suas narrativas.

Roseira conta que ele é o maior goleador do C. A. Flor do Brás de toda a longa história do

negro-esmeraldino. Os demais presentes nos bate-papos, principalemte os mais idosos ,

lembram dele jogando no Flôr. Alto, esguio, bola na área era com ele mesmo , era só cen-

trar e correr para o abraço.

Porém , um dia aconteceu algo estranho, encontrou com um rapaz que há muito não via, o

Luvanor , acompanhado de um colega de trabalho. Após as apresentações de praxe, Luvanor

falava para o seu amigo das virtudes do Roseira, não só pessoais, como de dançarino nos

bailes do Silva Telles, Casa do Minho, etc.

Depois começou a falar sobre o craque que o nosso herói de hoje havia sido , craque

disciplinado , pontual , não arranjava brigas, mas tambem não fugia do pau. O Roseira

foi inchando, inchando , parecia mais um ramalhete e não uma simples roseira.

Lembra daquele jogo contra o time tal e aquele outro lá em Lausane Paulista e aquele na Vila Maria? incrível, o Luvanor, não deixava o herói falar, ele só balançava a cabeça que sim.

Porém, ai porém, numa altura da conversa, Luvanor disparou, lembra daquele penalti que você defendeu no Festival do Estrela?

Pronto, o Roseira murchou, ele não era e nunca foi goleiro e sim centro-avante, goleador , o maior da história do Flor do Brás. Roseira baixou a cabeça, pediu licença pois tinha um compromisso e foi embora, pensando consigo mesmo , o Luvanor me confundiu com outra pessoa e se sentiu o maior dos injustiçados da várzea pariense. Logo ele , que havia feito gols

memoráveis, que deram títulos e taças aos times que envergou a camisa, principalmente o Flor, o Casemiro de Abreu e o Corinthinha do Brás. Gols de peixinho, de bicicleta , de voleio, faltas no ângulo, lá onde a coruja faz o ninho, gols de calcanhar, até de bico. Tudo isso não reconhecido pelo Luvanor que o confundiu com o seu maior adversário, o goleiro, aquele que nada constrói, só estraga prazeres, o anti-climax, poxa !

Logo o Luvanor , um cabeça de bagre, grosso, ruim de bola, que só jogou naquele time lá da várzea do Canindé, porque a irmã dele era noiva do dono do time.

Roseira, não tem problema, todos que o viram ou que escutaram falar, sabem do seu valor e jamais o confundirão com um simples goleiro, porque sabem que você era o gigante da área, o matador e isso que interessa, o reconhecimento de nós , torcedores, jogadores, sejamos aliados ou adversários.