O PÃO DURO

Jayme Antonio Ramos

 

Era uma boa pessoa, cumpridora de seus deveres, pagava seus impostos em

dia, mas, era um terrível pão duro, seu nome , claro, fictício era José Norberto.

Vou contar uma história que passei com ele , em meados dos anos 70.               Estava batendo papo , com um grande amigo, o Paulinho , após o trabalho ,

era uma sexta-feira, lá pelas sete e meia da noite, na esquina do Pif-Paf.

 

Tivemos a nossa boa conversa interrompida pelo Zé Norberto, que descia de um Fusca de um colega   de trabalho que lhe dera carona.

Zé Norberto, desceu do carro muito nervoso, xingando  e diante de nossa indagação por vê-lo assim bravo ele explicou.

Todos os dias esse cara do c.......me dá carona , ele mora no Tatuapé e como

vocês sabem eu moro aqui na Itaqui e eu desço aqui no Pif. Todos dias de segunda a quinta saímos às 17 hs. ,quando é no máximo 17.50 hs estamos aqui.

Pois bem e às sextas-feiras, ele inventa de jogar bilhar com outros colegas de

trabalho e eu fico ali com cara de trouxa os esperando jogar e bebericar até

as tantas, hoje até que viemos cedo, pararam a brincadeira lá pelas 17.50 hs.

Mas há dias que ficam até 9 , 9 e meia e aí começam dá uma linguicinha, dá um

torresminho, dá uma cervejinha bem geladinha e levantava o dedo indicador

como se estivesse pedindo ao garçom os petiscos.

Eu não como nada porque lugar de se comer é em casa, comida melhor e mais barata, sempre fui assim, quando jogava na várzea, acabava o jogo iam para o bar tomar cerveja ,eu não, ia comer uma bela macarronada.

Bem aí foi uma gargalhada só e nós preocupados com a sua fisionomia carregada, quase explodindo, até que tentamos segurar , mas não deu.

Aquela ênfase dada à frase até hoje nos acompanha e a outros amigos a quem narramos o acontecido.

Onde estivermos e vamos pedir algo ao garçom , não pode faltar o famoso dáá uma linguicinha , dá uma batatinha, com a entonação própria do saudoso amigo Zé.

Bem , o Pari mudou, nós mudamos, mas tenho certeza que o Zé está lá no Paraíso, reclamando de alguma coisa, do ar condicionado muito gelado, daquela calma, dos anjinhos batendo asas com aquelas penas caindo em cima da cabeça dele, mas com certeza ele está lá, pois apesar de tudo era um cara justo e ao lado do Pai é o lugar dos justos.

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