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Eduardo Martellotta

 

Carolina Maria de Jesus, nascida em Sacramento-MG em 1914 e falecida em São Paulo- SP a 13 de fevereiro de 1977, é autora de diários e romance e também poeta. De família pobre, composta por mais sete irmãos, trabalhava desde a infância. Com a morte da mãe em 1937, vai para São Paulo em busca de melhores condições de vida.De 1948 a 1961, reside na favela do Canindé, sobrevivendo como catadora de papel e ferro velho. Em 1958, o jornalista Audálio Dantas, numa reportagem sobre a inauguração de um playground no Canindé, conhece Carolina e se interessa pelos seus 35 cadernos de anotações em forma de diário, e publica um artigo na "Folha da Noite". Em 1959, trabalhando na revista "O Cruzeiro", o jornalista divulga trechos dos relatos escritos pela autora e, posteriormente, empenha-se na publicação que reúne esses relatos, "Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada", lançado em 1960, com notável sucesso editorial. Carolina muda-se para uma casa que consegue comprar no bairro de Santana e mantém o diário com registros do que lhe acontece ali, depois editados em "Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada", em 1961. Em 1963, publica "Pedaços da Fome", seu único romance, que tem pouca repercussão. Em função dos contínuos desentendimentos com seus editores, bem como das dificuldades enfrentadas para manter-se em evidência e adaptar-se à vida no bairro de classe média, muda-se para um sítio no bairro de Parelheiros, São Paulo, em 1969, onde é praticamente esquecida pelo mercado editorial, apesar de algumas tentativas de voltar à cena literária. Após sua morte, são editadas obras escritas entre 1963 a 1977, das quais a mais significativa é "Diário de Bitita", com suas memórias de infância e juventude, inicialmente lançado na França.

Cotidiano da pobrezaEm "Quarto de Despejo", a mulher negra e favelada, com pouca escolaridade, registra o cotidiano de pobreza que rege seus dias, bem como a humilhação social e moral a que estão sujeitos os habitantes da favela do Canindé.

O relato do cotidiano da favela é direto e cru, sem que se temam os temas-tabus, como a ocorrência de incestos e de relações promíscuas, bem como o horror que a fome pode produzir.

 

Cooperativa faz homenagem a Carolina

 

São Paulo deu mais um passo importante para ampliar a coleta seletiva no município, com a inauguração, pela Prefeitura, em 16/7/2014, da Central Mecanizada de Triagem Carolina Maria de Jesus (avenida Miguel Yunes, 345), em Santo Amaro, numa justa homenagem à antiga catadora e escritora.

 

Trata-se da segunda unidade deste tipo aberta pela administração municipal. A primeira foi entregue à população em 5/6/2014, na Ponte Pequena – av. do Estado, 300. Pioneira na América Latina, a iniciativa integra o programa SP Recicla, que reúne todos os projetos do governo municipal relacionados à coleta seletiva.

 

"O livro... me fascina. Eu fui criada no mundo. Sem orientação materna. Mas os livros guiaram os meus pensamentos. Evitando os abismos que encontramos na vida. Bendita as horas que passei lendo. Cheguei a conclusão que é o pobre quem deve ler. 
Porque o livro, é a bussola que há de orientar o homem no porvir (...)"
- Carolina Maria de Jesus, em "Meu estranho diário". São Paulo: Xamã, 1996, p. 167.

Matéria extraída do Jornal do Brás