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segunda-feira, 4 de março de 2013

MORADORES DE RUA INFERNIZAM O BRÁS

MORADORES DE RUA INFERNIZAM O BRÁS

Quem passa pelas imediações do viaduto Bresser, percebe a presença de barracas de moradores de rua, que acabam atraindo todo tipo de pessoas para o local, gerando conflito social, principalmente no teor “ir e vir”. Os moradores dos condomínios da região estão com medo de sair, porque constantemente sofrem assaltos.
Essa questão foi debatida na última reunião do Conseg Brás/Mooca e Belenzinho, dia 4 de fevereiro último, no auditório da Universidade Anhembi Morumbi.
“A nossa região é histórica e tradicional. Caso não retirem os moradores de rua, eu mesma vou agir”, disse a presidente do Conseg, Wanda Herrero. “Se o viaduto Bresser pegar fogo, vai tudo para os ares com o posto de gasolina. Não pode haver negligência”, completou ela.
Presente pela primeira vez na reunião, o novo subprefeito da Mooca, Francisco Carlos Ricardo, salientou que fazer abordagens com os moradores de rua não resolverá o problema. “A Secretaria de Assistência Social está cadastrando essa população”, disse ele, que lembrou das quadras de esportes situadas embaixo do viaduto Alcântara Machado, antigamente ocupado por favelas e carros abandonados.
Segundo Francisco, foi montada na Sub Mooca uma comissão para os moradores de rua. “Esse pessoal está na rua por diversas causas. Vamos achar uma solução em conjunto”.
O subprefeito Francisco disse que houve migração dos dependentes químicos do Centro para o Brás e a Mooca. “O problema é muito grave e complexo. Uma atitude impensada piora a situação. Estamos tratando com seres humanos”.

Ocupação com atividades culturais
Também presente no Conseg, a presidente executiva do Museu da Imigração, Marília Bonas Conte, contou que enviou ofício ao governador Geraldo Alckmin sobre o problema dos moradores de rua na frente do Museu da Imigração. E informou que existe um projeto em parceria com a Universidade Anhembi Morumbi, a CPTM e o Arsenal da Esperança que pode ter impacto na urbanização e melhorias de calçadas. Antes disso, o museu tem a intenção de ocupar o espaço nas ruas Dr Almeida Lima, Visconde de Parnaíba e adjacências, com programações culturais, evitando a concentração de desocupados no entorno. “Precisamos cuidar mais da nossa rua, assim dispersamos os dependentes químicos”, ressaltou ela.
A par do problema, o capitão Gravena, comandante da 3ª Cia do 45º BPM/M, disse: “Se a Lei permitisse, faríamos a remoção dos moradores de rua”.

Interpretação errada da Lei
O morador Gilberto perguntou ao Dr Tadeu Rossi, delegado titular do 8º DP: “Estão interpretando erroneamente a lei do ir e vir. Todo mundo tem esse direito, está na Constituição. Quem dá a eles o direito de ficar? Pois eles não estão indo e nem vindo, estão ocupando o espaço público, morando. E isso tem que acabar. É vadiagem. Eles têm que ser retirados dali. E por que os bares não fecham após as onze horas da noite?”.
Em seguida, o Dr Tadeu respondeu que o 8º DP está trabalhando arduamente, coibindo o tráfico de entorpecentes, por meio de flagrantes. E lembrou que a Lei de Contravenção Penal, simplesmente parou de ser aplicada por causa da Lei 9.099. “Precisa mudar a legislação, por meio do Legislativo”.

Fiscalização de casas noturnas e trilhos
Devido à tragédia de Santa Maria-RS, onde faleceram 239 jovens dentro de uma boate, o assunto fiscalização de bares e casas noturnas voltou a ser pauta da Prefeitura. O sub Mooca Francisco Ricardo informou que duas casas da região (uma na av. Celso Garcia e outra perto da rua Cassandoca, onde está o 3º GB) serão inspecionadas. “Todas as casas noturnas que estiverem irregulares serão fechadas”.
Os moradores também vieram à reunião do Conseg para pedirem a retirada dos trilhos da rua Visconde de Parnaíba, onde passava o bonde do antigo Memorial do Imigrante.
Marília Bonas afirmou que o Condephaat - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico negou a retirada dos trilhos da rua Visconde de Parnaíba.
A próxima reunião será no dia 4 de março, às 20h, no SENAI Theobaldo de Nigris , na rua Bresser, 2.315. Participe. Convide os amigos e ajude a resolver os problemas do seu bairro.

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Wanda Herrero é presidente do Conseg, ao lado do capitão Gravena e Sub Mooca Francisco Ricardo








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Dr Tadeu Rossi, delegado titular do 8º DP








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Capitão Gravena, cmt PM da região








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O auditório da Universidade Anhembi/Morumbi ficou lotado









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Subprefeito Mooca Francisco Ricardo








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Inspetor Hamilton da GCM








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Marília Bonas do Museu da Imigração







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Dona Zina da AmoAMooca disse que a educação é tudo. “Sem educação, e sem criarmos bem os nossos filhos, não vamos ter um médico ou um ótimo subprefeito, como Francisco, que eu aprendi a admirar”






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Fundador do Conseg há 23 anos
Fundador do Conseg Brás/Mooca (hoje Brás/Mooca e Belenzinho), em abril de 1990, Milton George exaltou a participação maciça da comunidade na reunião.
Ele lembrou que, uma das primeiras ações do Conseg, logo após sua fundação, foi a retirada das favelas no viaduto Piratininga e Metrô Brás, quando era presidente do Conseg o dinâmico líder Orlando Manoel.
“O morador de rua é fruto da miséria humana. São pessoas carentes que vêm de outros Estados, em busca de uma vida melhor. Chegam aqui e encontram uma miragem falsa”.
E disse ainda: “Que as autoridades, junto com a comunidade, que é a força do Conseg, façam o possível e o impossível para solucionar imediatamente esse problema”.
Milton pede para que haja mudança na Lei, e esta seja mais rigorosa, para que se separe o “joio do trigo”, lembrando: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

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Selma Maria da Silva, ex-moradora de rua, hoje catadora de materiais recicláveis, veio ao Conseg dizer que é muito difícil tratar com os dependentes químicos, mas que a sociedade pode se mobilizar. “O morador de rua não quer ir ao albergue ou tenda. Estamos cadastrando os moradores de rua para trabalhar em cooperativa de catadores. O lixo é gerador de renda, emprego e dignidade”, disse ela




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Antonia, ex-professora da Escola Fábio Prado da Mooca, contou que os moradores dos condomínios Bresser I, II e III, Solar dos Girassóis e Solar dos Imigrantes estão bastante inseguros. “Os jovens não conseguem ir para as faculdades porque têm os celulares roubados. Nós estamos presos dentro dos condomínios. Estamos aqui pedindo segurança”





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Morador e síndico do condomínio Nova Mooca, que tem aproximadamente 1.000 moradores, disse que entre os problemas, está um banheiro público na rua usado pelos desocupados e os bares que não respeitam as regras do município, utilizando som alto ligado até as três da madrugada, de quarta a sexta-feira. “Temos mais de 80 protocolos e nada foi feito”. Existem cerca de 50 barracos ao redor do viaduto Bresser, segundo ele




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Vanda, moradora da Mooca, disse que infelizmente, não vai usar a palavra gratidão enquanto não for resolvido o problema. “Não vamos fazer nada? Vai continuar assim? Por que temos que tolerar? Há quatro meses estou falando e levando ofícios para ver se resolve alguma coisa”






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João Evangelista, morador da rua Visconde de Parnaíba, quer melhorias na calçada da Visconde de Parnaíba. Outra queixa é que o mato está alto e existe um terreno abandonado no local, atraindo desocupados. “Esse trecho da rua virou novamente ponto viciado de entulho, mesmo com a existência de uma placa da Prefeitura”. João também quer a retirada dos trilhos na rua Visconde de Parnaíba e a instalação de uma lâmpada na esquina da Visconde de Parnaíba com a Almirante Brasil



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Caroline, moradora do condomínio Bresser II, disse que criou o Grupo Viva Bresser. “Nosso objetivo é ir vai para a rua conscientizar os moradores da região e assumir nossa responsabilidade social. Acreditamos na falta de informação das pessoas para melhorar o bairro”, disse Caroline





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Fátima, moradora há 21 anos na região, disse que depois que a tenda foi construída, a visão dos motoristas ficou comprometida. Ela reclama também do barulho da CPTM à noite. “Não consigo dormir. Estou fazendo tratamento com naturologia, por conta do stress”






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Rodrigo, morador da região, disse que houve uma inversão de valores. “O excluído social pode tudo. Eu saio às 5 horas para trabalhar e pego seis ônibus. Cadê meu direito de viver? Porque a GCM não recolhe esses usuários de drogas? A região está virando uma segunda Cracolândia”





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Débora, missionária e representante de casas de recuperações, disse que o poder público está limitado e o direito de ir e vir é muito delicado. “Se tirar um morador de rua daqui, vai para outro bairro. A abstinência da droga é terrível. Muitos usuários já estão loucos, não tem consciência de nada. A sociedade precisa se organizar. Não adianta só a polícia”






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Antonio Carlos, morador da Mooca há 60 anos, quer mais atenção da Prefeitura e da PM nas reclamações feitas no Conseg. “Temos pessoas idosas e doentes que são obrigadas a ouvir o dia todo som alto nos carros que param na porta dos bares da rua do Hipódromo com a rua Itajaí”. Ele quer também mais fiscalização nos bares que colocam cadeiras e mesas nas calçadas, deixando os moradores andarem na rua




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Jair, síndico do condomínio Bresser V, disse que viu várias cabanas na porta de seu condomínio, e os moradores de rua fazem o diabo – fogueiras, defecam etc. “Estou cansado de vir aqui. Não aguento mais”






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Manoel disse que já aconteceram mortes embaixo do viaduto Bresser envolvendo os moradores de rua. “Nenhuma autoridade toma providência. É uma situação de calamidade pública. A Prefeitura também deve fazer a limpeza das ruas, onde ficam os desocupados, porque milhares de pessoas presenciam esses mendigos fazendo necessidades e sujando a rua”





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Romilda é da Agenda 21 e pertence ao Conselho Municipal do Meio Ambiente. Ela lembrou que a região concentra um grande número de prédios abandonados, que, reformados pela Prefeitura, poderiam virar habitação popular. “O espiritual influi muito também para os moradores de rua não deixarem o local”, acrescentou







Um comentário:

Anônimo disse...

Ainda o morador de rua é visto como lixo pela sociedade, como problema. Mas o fato é que não não queremos ver as causas do problema, ou seja, por que vivem nas ruas? A idéia de "higienização" é isso: colocar esta realidade para baixo do tapete e não buscar soluções humanas e consistêntes. Que tal buscar soluções em diálogo com as comunidades de moradores de rua, reciclágem, cooperativas de catadores? Por que achamos que só nós temos a solução e que "eles" lá embaixo, não precisam ser consultados?