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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Fwd: DIA DO ÍNDIO! - Aos Conselheiros, com um forte abraço, Wanda





 
Dia do Índio, nome de uma data
 
por, Wanda Herrero
 
O nome pertence às coisas, ou seja, nada temos além do nome. O nome, a história, os idéias, as motivações pela luta, por direitos – esses permanecem para sempre na história.
 
Para esta data, designo três nomes: o geógrafo Aziz Ab'Saber e os antropólogos Darcy Ribeiro e Carmen Junqueira, meus mestres.
 
Em uma entrevista com o Dr. Dráuzio Varela, o geógafo Aziz Ab'Saber,  fala dos Tupis: "Há uma coisa fantástica em relação à História do Brasil, que precisa ser mais divulgada. Os grupos tupis que entraram, talvez haja sete ou oito mil anos, pelo noroeste da Amazônia e foram descendo lentamente, pararam em torno do pantanal mato-grossense e depois transpuseram o planalto, chegando ao litoral. O interessante é que, com todas essas marchas, o grupo de língua tupi acabou por dar nomes a rios, serras, riachos, plantas e animais em uma área de sete milhões de quilômetros quadrados, que se estende da Amazônia até o Uruguai. É´ a coisa mais impressionante em termos de expansão de uma língua pré-histórica que aconteceu no mundo. Por exemplo, Ubatuba era o porto canoeiro dos tupis; Mantiqueira, quer dizer "mãe das águas", águas que correm para o Vale do Paraíba, para o alto Rio Grande, para o interior de São Paulo. E eu fico pensando: na verdade, eles tinham o hábito de dar nomes significativos para fatos geográficos."
 
Nesse contexto nos dão uma expressiva ideia de não esquecimento.

Conheci Darcy Ribeiro nas alunas inaugural da PUC-SP e  lendo os livros O Processo Civilizatório e Uira Sai, a Pocura de Deus, mas a frase - "Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas, demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, a universidade necessária. Na verdade, somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao
lado dos que venceram nessas batalhas."

Essa frase dá um sentido de ética e conhecimento.

Carmen Junqueira, em uma síntese – "Antes de tudo, precisamos melhorar nossa própria sociedade. Poderíamos aprender mais com os índios e seu estilo de vida. Pois, na sociedade deles, não há coerção, ninguém dá ordens a ninguém. Eles são livres e conseguem se sustentar a si próprios sem repressão. Existe, sim, a coerção ritual de suas religiões. Mas, na vida cotidiana do trabalhar, do casar, do construir uma casa, você não tem como mandar. As crianças são criadas dessa forma, e todas elas são educadíssimas. Esse estilo de vida seria um grande aprendizado para nós. Na aldeia, se hipoteticamente uma criança me desse um pontapé, o pai iria calmamente dizer a ela: "A gente não deve fazer isso". Aí, ele viria até mim com um peixe na mão como um pedido de desculpas pela brutalidade do filho. Então, o agir deles é mais desarmado e de peito aberto em comparação ao nosso. Acredito que poderíamos aprender muito a respeito disso com os índios para sermos mais fraternos, menos predadores."

O que me faz refletir nessas mensagens é que precisamos ser muito mais do que podemos hoje, em uma palavra simples e de um grande significado – sinceridade.  A palavra dada, o acordo, as reflexões e o mais importante, o respeito como os nossos irmão índios. Essa é a memória, esses são os nomes.
 


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