REFLEXÕES DE MOÇAMBIQUE

 

Mas um inteligente artigo do meu amigo Guilherme Moçambique, diante

dessa atual onda de protestos no nosso Brasil.

 Minha última reflexão sobre os protestos.
Eu tenho 30 anos, estou a cinco meses de fazer 31 e nunca pensei que estaria vivo para ver algo que só tinha ouvido falar dos meus pais que vivenciaram aqueles tempos difíceis. Sou jovem ainda para a idade mas me sinto atualmente como se fosse um velho de 60 anos calejado após uma vida de muitas batalhas, umas ganhas e outras perdidas; sinto pena dos jovens de hoje que viverão para ver os tempos negros que virão. As nuvens negras que escurecem São Paulo agora são o prenúncio da tempestade que está por vir. Uma tormenta disfarçada na forma de uma indignação que há anos está entalada na garganta das pessoas, mas que através de seu veneno oculto semeia a discórdia do vírus que tomou conta de todo mundo. Esse veneno invísivel e cruel fez a cabeça de muitos, como o Diabo, lhe disse palavras bonitas antes da punhalada fatal, heróis apoiados pelo ideal de esperança e glória balançando em berço esplêndido, vão se transformar em demônios que verão seus filhos fugirem da luta quando tiver os espíritos deles destroçados, uma nova era negra e sem perspectiva de um milagre acontecerá e quem irá pagar caro por isso é o povo brasileiro. É justo lutar por uma causa nobre, é justo lutar por justiça e igualdade de direitos, é justo lutar pelo aquilo que é certo; mas quando o lutador( guerreiro se preferirem) faz da sua luta um fanatismo que faz lavagem cerebral e transforma seus iguais em cordeirinhos, ele se torna tão corrupto quanto aqueles que abomina, e vocês que se deixam levar pelas utopias do paraíso virarão robôs mergulhados no inferno de não terem mais autonomia, não terem mais liberdade. É necessário mudar? É. É necessário fazer a diferença? É. Mas com prudência, sabedoria, discernimento, e principalmente PAZ. Chorão disse na sua última música "Só os loucos sabem" que "O homem que procura a paz, não quer guerra com ninguém". É uma pena que ninguém hoje entenda isso, mas talvez em breve entenderão do jeito mais difícil. A morte foi até digamos justa com o cantor por que ele não ia aguentar viver num mundo que era tudo que ele combatia, é capaz de nós não aguentarmos também com o fantasma da fome batendo em nossas portas. Não sei mais o que falar, só consigo pensar nas verdadeiros tsunamis que vão nos tragar. É triste mas a verdade dói e ela sempre foi combatida por ser um bem doloroso.

Guilherme Moçambique.